CONTEXTO HISTÓRICO
O livro foi lançado em 1872 e pertence à primeira geração do romantismo. A primeira geração do Romantismo no Brasil é também conhecida como indianista ou nacionalista, durante o período a exaltação da natureza por meio das obras dos autores da época era predominante, uma das características essenciais do romantismo, a natureza era supervalorizada, lugar de refúgio e principalmente fonte de inspiração. A natureza proporcionava ao escritor atração por sua beleza, encantamento por sua simplicidade e ao mesmo tempo seus mistérios, demonstrando o estado da alma do poeta.
Bernardo Guimarães (Bernardo Joaquim da Silva Guimarães), magistrado, jornalista, professor, romancista e poeta, nasceu em Ouro Preto, MG, em 15 de agosto de 1825, e faleceu na mesma cidade, em 10 de março de 1884. É o patrono da Cadeira n. 5 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Raimundo Correia.
Era filho de Joaquim da Silva Guimarães e Constança Beatriz de Oliveira. Dos quatro aos 16 anos viveu em Uberaba e Campo Belo, impregnando-se das paisagens que mais tarde descreveria em seus romances e em alguns poemas. Antes dos 17 estava de volta a Ouro Preto, onde terminou os preparatórios. Tem-se como certa a sua participação, em 1842, na revolução liberal. (Seu biógrafo Basílio de Magalhães deduziu, de informações que obteve da viúva Bernardo Guimarães, que ele não servira aos rebeldes e sim aos legalistas.) Matriculou-se, em 1847, na Faculdade de Direito de São Paulo, onde se tornou amigo íntimo e inseparável de Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa, com os quais chegou Bernardo Guimarães a projetar a publicação de uma obra que se chamaria Três liras. Fundaram os três, com outros estudantes, a “Sociedade Epicureia”, a que se atribuíram “coisas fantásticas”, que ganharam fama no meio paulistano.
Curiosidades do autor
- Bernardo Guimarães era tio-avô do escritor Alphonsus de Guimaraens (1870-1921).
- Em 1881, Dom Pedro II (1825-1891) visitou Minas Gerais e manifestou o desejo de conhecer o autor de A escrava Isaura. Assim, Bernardo Guimarães foi recebido entusiasticamente pelo monarca.
- Bernardo Guimarães também escreveu poesias obscenas, como “O elixir do pajé” e “A origem do mênstruo”.
- Em 1976, estreou, na Rede Globo, a telenovela Escrava Isaura, uma adaptação do romance de Bernardo Guimarães. Ela foi exibida, com enorme sucesso, em dezenas de países.
ANÁLISE DA OBRA
"Aqui o solo ondula graciosamente em colinas de suave declive, separadas uma das outras por cristalinos córregos, orlados de capões, cujo tope escuro se destaca vivamente em meio do brilhante e verde claro matiz das Campinas. Além se achata em vastos chapadões, que cansam a vista e impacientam o viandante que os percorre. Acolá os espigões se abaúlam, como leivas gigantescas divididas pelos buritizais que se estendem como filas de guerreiros ao longo dos brejais. Aqui o horizonte é limitado ao longe por uma linha de serras, cujos topes, longe de serem coroados de ásperos alcantis, são lisos e risonhos tabuleiros cobertos de viçosas e suculentas pastagens. Acolá uma linha escura forma o fundo do painel; é a selva profunda e imensa, que lá se vai perder pelo coração dos desertos sem fim. De todas essas encostas, por todos esses vales, à sombra de todos esses selváticos vergéis, jorram e murmuram perenemente com pasmosa abundância as mais límpidas e frescas águas. O humilde regato que aqui transpondes de um salto, algumas léguas além ainda ao alcance de vossas vistas já é largo e caudaloso rio." Guimarães, Bernardo. O Garimpeiro: Clássicos de Bernardo Guimarães (p. 3).
- Neste trecho percebe-se um sentimentalismo exacerbado e a enaltação da natureza. Com muitos detalhes da pra perceber uma admiração enorme pela natureza
"No dia seguinte Elias seguindo caminho de Bagagem via sumir-se além no horizonte longínquo a fazenda do Major, e sentia como que um véu de luto abafar-lhe o coração, ao passo que aquela aprazível morada, que antes formara as delícias de Lúcia, ia Dora em diante tornar-se para ela um deserto horrendo, um exílio insuportável." Guimarães, Bernardo. O Garimpeiro: Clássicos de Bernardo Guimarães (p. 38).
- Neste trecho passa um sentimento de angústia, por ter que se desprender do que amava.
"— Que crueldade, meu Deus, exclamou ela, deixar-me assim arrebatadamente, e abandonar-me tão sozinha e desamparada neste ermo... isto é de quem ama deveras? ... e além de tudo, a pobreza! ... Meu Deus! ... não sei o que será de mim... hei de morrer de tristeza! ... se me dissesse ao menos onde foi! ... eu dera tudo para saber onde ele está! ..." Guimarães, Bernardo. O Garimpeiro: Clássicos de Bernardo Guimarães (p. 128).
- Neste trecho houve uma mistura de sentimento de solidão e desprezo. Ela foi abandonada e não esperava, sentiu uma grande tristeza.
VOCABULÁRIO
Transpondes = Atravessais
Truculenta = Bruta/violenta
Melindrosa = Aquela que se ofende facilmente.
Algazarras = Tumulto
Mancebo = Jovem
Inclemência = crueldade
Rigores = Rigidez
BIBLIOGRAFIA
Poesias, 1865.
O ermitão de Muquém, 1868.
Lendas e romances, 1871.
O garimpeiro, 1872.
Histórias da província de Minas Gerais, 1872.
O seminarista, 1872.
O índio Afonso, 1873.
A morte de Gonçalves Dias, 1873.
A escrava Isaura, 1875.
Novas poesias, 1876.
Maurício ou os paulistas em São João Del-Rei, 1877.
A ilha maldita, 1879.
O pão de ouro, 1879.
Rosaura, a enjeitada, 1883.
Folhas de outono, 1883.
O bandido do Rio das Mortes, 1904.
PORQUE LER O GARIMPEIRO?
Assista ao vídeo:
Audiobook:
https://www.preparaenem.com/portugues/primeira-geracao-romantismo-no-brasil.htm
https://www.academia.org.br/academicos/bernardo-guimaraes/biografia
https://brasilescola.uol.com.br/literatura/bernardo-guimaraes.htm.
https://brasilescola.uol.com.br/literatura/bernardo-guimaraes.htm.
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